Fotografia subaquática: “O clube quer reforçar a sua ligação ao mar”

Janeiro 25, 2018

 A aventura começou numa Lua de Mel e já vai em mais de 10 títulos, entre campeonatos nacionais, regionais, da Europa e do mundo. Rui Bernardo e Sónia Bernardo são os novos atletas do Estoril Praia na mais recente modalidade de fotografia subaquática.  Entrevista de Cristina Caeiro.

Como surgiu esta oportunidade da fotografia subaquática?

Rui Bernardo -Em Outubro 2005, durante a viagem de “lua-de-mel”, fomos para uma ilha, onde havia muito pouco para fazer, na altura nunca tínhamos mergulhado, havia a possibilidade de fazer um mergulho de batismo na ilha, experimentámos, a surpresa foi tal que os restantes dias na ilha foram passados a mergulhar com umas pequenas câmaras descartáveis, à prova de água, para tentar mostrar aquilo que nos deslumbrava debaixo de água.

“Durante a viagem de “lua-de-mel”, fomos para uma ilha, onde havia muito pouco para fazer, havia a possibilidade de fazer um mergulho… experimentámos, a surpresa foi tal que os restantes dias na ilha foram passados a mergulhar”

 Sónia Bernardo -Esta oportunidade surgiu depois de uma experiência de mergulho, que me levou a tirar o curso de mergulho recreativo. A partir daí as coisas foram surgindo naturalmente, porque o mundo subaquático é maravilhoso e cada mergulho é sempre uma descoberta de novas espécies e de novos ambientes.

Como acontece um campeonato de fotografia subaquática?

 RB -Existem vários tipos de “campeonatos”. Podem ser dois dias com 4 mergulhos de 90 minutos cada, ou um dia com 2 mergulhos de 90 minutos. Todas as provas tem um regulamento, onde é explicado aos atletas, onde são os “spots” de mergulho e quais as categorias a fotografar. Numa prova de 2 dias, habitualmente são 5 categorias que se dividem em: grande angular com a presença de um mergulhador; grande angular sem mergulhador (nestas categorias, o fotografo tem de evidenciar os fundos marinhos, procurando colocar na imagem, fauna, flora e no caso de grande angular com mergulhador, um mergulhador, habitualmente designado por “modelo”); peixe (onde apenas se fotografa um peixe ou parte de peixe, sendo obrigatório a identificação da espécie); macro com tema (fotografia de grande aproximação e/ou ampliação de um tema previamente designado no regulamento) e macro sem tema (fotografia de grande aproximação e/ou ampliação de qualquer tema, nunca repetindo os anteriores e também nunca pode ser de um peixe).

As câmaras são previamente controladas pela organização da prova para que estas sejam apenas usadas durante os mergulhos de competição. Quando os atletas estão todos dentro de água, transportados previamente pela organização da prova, é dado o início do 1º mergulho que não pode exceder 90 minutos. Após os mergulhos competitivos, a organização recolhe as imagens e as duplas tem um período limitado para escolher aquelasque vão ser avaliadas pelo painel de jurados e votadas. As imagens são votadas pelas categorias já descriminadas, o vencedor é a equipa que tiver mais pontos na soma das classificações das categorias.

Quais os objetivos?

SB –Continuar a trabalhar, a aprender e evoluir sempre mais, o mundo subaquático é um universo onde ainda há muito por descobrir e através da fotografia subaquática é possível conhecer e dar a conhecer esse universo fantástico.

“Já conquistámos 4 campeonatos nacionais, 5 regionais, fomos vice-campeões da europa na categoria de macro em 2014 e campeões do mundo na categoria de peixe em 2015″

 Como surgiu a oportunidade de vir para o Estoril Praia?

 RB -Foi através da Federação de atividades subaquáticas que nos indicou que havia um clube na nossa zona de residência que tinha uma secção de desportos subaquáticos. Depois do primeiro contato, foi tudo muito rápido. O clube gostou da modalidade, é uma modalidade em franca expansão, pode ser praticada por todas as idades, desde que tenham o curso de mergulho com escafandro. A proximidade e ligação do clube ao mar também foi determinante, já que esta é uma das modalidade que, objetivamente, aproxima o público ao mar, numa vertente de proteção e conservação do meio ambiente.

SB -Tivemos a sorte de o Grupo desportivo do Estoril Praia estar a reforçar a sua relação com as modalidades ligadas ao mar e querer ser o clube pioneiro a abrasar a modalidade de fotografia subaquática.

“A proximidade e ligação do clube ao mar também foi determinante”

 Que títulos já conquistaram?

 RB -Desde que iniciámos a vertente competitiva desta modalidade, em 2009, já conquistamos 4 campeonatos nacionais (2013, 2014, 2016 e 2017), 5 campeonatos regionais (2013, 2014, 2015, 2016 e 2017), vice-campeões da europa na categoria de macro em 2014, campeões do mundo na categoria de peixe em 2015. São os títulos de maior relevo.

SB -Em 2017 fomos campeões nacionais desta modalidade pela quarta vez (2013, 2014, 2016 e 2017). No europeu de 2014, que se realizou nos Açores, na Ilha da Graciosa, contou com a presença de 9 países, fomos vice campeões na categoria de macro com tema. No mundial de 2015, disputado na Holanda, onde estiveram representados 11 países, obtivemos uma medalha de ouro na categoria de peixe e no último mundial, em 2017, que se realizou no México, ficamos em 6ªlugar na categoria de macro livre.


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