O “menino” Fernando regressa a casa

Junho 2, 2017

Já lá vão mais de 40 anos. Chegou menino, vai regressar senhor, campeão da Europa. Jogador, capitão, treinador, agora seleccionador. É ao leme da equipa dos 11 milhões que o nosso Fernando vai entrar no António Coimbra da Mota, este sábado, para o jogo particular com Chipre.

Na sede do Estoril Praia sobram recordações. “Nos momentos difíceis do clube ele nunca virou as costas“, lembra Manuel, ex-companheiro de equipa, depois de descrever a grande penalidade que “o Fernando marcou aos tropeções”.

A história começou a ser escrita no início dos anos 70. “Quando o Fernando Santos veio para Estoril eu era capitão. Ele era um menino, chegou com 18 aninhos dos juniores do Benfica, estudante universitário, amigo do seu amigo, sempre muito inteligente e pegou de estaca na equipa. Jogámos dois anos juntos. Subimos da terceira para segunda e depois da segunda para a primeira, dois anos seguidos”, recorda Anselmo Santos, o antigo jogador canarinho que aos 19 anos já era capitão de equipa.

Às memórias do Fernando jogador juntam-se as aventuras do mister. “Era um treinador exigente que sabia e conseguia unir um grupo e em quem os jogadores acreditavam. O Fernando começou por assumir temporariamente a liderança das camadas jovens a pedido da direcção, para resolver uma situação de emergência, e logo aí mostrou que tinha perfil. Por tudo isto, e por ter convivido muito com ele como colega e treinador, não foi para mim uma surpresa o que ele conseguiu em França no último Verão”, recorda o amigo Pedro Rodrigues.

As memórias sucedem-se ao ritmo dos sorrisos quando se recorda a vida de Fernando Santos no António Coimbra da Mota. Apesar das muitas confissões, ninguém se atreve a revelar a alcunha do Campeão da Europa. O que se passou na Amoreira, fica na Amoreira, mas há dias em que bate a saudade. “Voltar aqui é voltar ao passado. O Estoril é o meu verdadeiro clube, foram muitos anos passados aqui. Sinto o clube como família”, recordou Fernando Santos durante a inauguração da sede do clube no início deste ano.

Da bancada também se grita saudade. “Do Fernando guardo tudo, mas sobretudo aquela subida de divisão no dia 26 de Maio de 1991, em Leiria, na altura ele era treinador. Precisávamos de um empate e empatámos 2-2. Estávamos há sete anos na segunda divisão e foi um grande festa. O Fernando é um símbolo do clube. É acarinhado por todos. Será para sempre um dos nossos”, destaca o sócio João Simões.

Este sábado, quando a selecção pisar o relvado do António Coimbra da Mota, os sócios do Estoril Praia têm um aplauso especial reservado para o engenheiro do Hotel Palácio.

“Cresci e fiz-me homem no Estoril. Vim para aqui em 1973, com 18 anos, e foi aqui que acabei por construir a minha vida profissional, não só no futebol, mas também na engenharia. Trabalhei num hotel da zona. De alguma forma, este clube levou-me a ser campeão europeu., lembrou o seleccionador nacional na última vez que esteve no Estoril.

 

Texto: Filipe Mendonça 


Comments

  1. João Simões (sócio nº 150) - Junho 2, 2017 a 6:36 pm

    Um texto que é um mais do que justo tributo a um Homem que funde grande parte da sua carreira desportiva com o nosso clube; um exemplo inequívoco do que é a nossa filosofia no Desporto: formar bons desportista, mas sobretudo formar excelentes seres humanos – João Simões (sócio nº 150).

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  2. Steve wayne - Junho 2, 2017 a 6:52 pm

    Ao ver o primeiro foto acima fico com uma lagrima no olho, tantas vezes vi jogar “o bom gigante” Ze Torres, o Ze Antonio, o esquerdista Martins, (cujo filho tambem jogou no Estoril) tres Estorilistas, tres caraters enormes, tres grandes homems que hoje so’ vivem na nossa memoria……….

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